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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

domingo, 11 de dezembro de 2016

sábado, 10 de dezembro de 2016

Série: Fragmentos





Você pediu para eu escrever o seu nome na palma da minha mão Pra quê? Ele está gravado em meu coração!

- Gerci Monteiro de Freitas



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Oscar Wilde: No entanto,todo homem mata aquilo que...


No entanto, todo homem mata aquilo que adora, 
Que cada um deles seja ouvido. 
Alguns procedem com dureza no olhar, 
Outros com uma palavra lisonjeira. 
O covarde fá-lo com um beijo, 
Enquanto o bravo o faz com a espada! 

Uns matam o próprio amor quando ainda jovens, 
Outros o fazem na velhice; 
Uns estrangulam com as mãos da luxúria, 
Outros com a mão de Ouro, 
O que é bondoso faz uso do punhal, 
Porque a morte assim vem mais depressa. 

Uns amam pouco tempo, outros demais, 
Uns vendem, outros compram; 
Alguns praticam a ação com muitas lágrimas 
E outros sem um suspiro,sequer: 
Pois todo o homem mata o objeto do seu amor 
E, no entanto, nem todo homem é condenado à morte.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Eis uma bela poesia, de um dos melhores poetas do século XX, Mário Faustino.



Romance

Para as Festas de Agonia
Vi-te chegar, como havia
Sonhado já que chegasses:
Vinha teu vulto tão belo
Em teu cavalo amarelo,
Anjo meu, que, se me amasses,
Em teu cavalo eu partira
Sem saudade, pena, ou ira;
Teu cavalo, que amarraras
Ao tronco de minha glória
E pastava-me a memória.
Feno de ouro, gramas raras.
Era tão cálido o peito
Angélico, onde meu leito
Me deixaste então fazer,
Que pude esquecer a cor
Dos olhos da Vida e a dor
Que o Sono vinha trazer.
Tão celeste foi a Festa,
Tão fino o Anjo, e a Besta
Onde montei tão serena,
Que posso, Damas, dizer-vos
E a vós, Senhores, tão servos
De outra Festa mais terrena –
Não morri de mala sorte,

Morri de amor pela Morte.


Mário Faustino dos Santos e Silva nasceu no dia 22 de outubro de 1930, em Teresina, Piauí. Começou muito cedo, aos 16 anos já publicava crônicas e escrevia poemas. Durante sua breve vida escreveu belos poemas, muitos deles relacionados à morte. O autor publicou um único livro de poesia em 1955, “O homem e sua hora”. Mário Faustino faleceu aos 32 anos de idade, num trágico acidente aéreo, curiosamente.

           Professor Adilson Citelli

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O meu pomar (Cecília Meireles)



Se eu tivesse um pomar, um pequeno pomar que fosse,
não lhe poria grade à roda como os outros proprietários.
Não poria a guardá-lo, um desses cães enormes, rancorosos,
que andam sempre rondando os pomares...
O meu pomar seria assim: todo aberto, para todos.
E, quando o outono chegasse e as árvores ficassem cheias de frutos amarelos
e vermelhos, nenhum pobrezinho teria fome,
nenhuma criança choraria de sede, passando pelo meu pomar...
E, no inverno, ainda haveria lá onde alguém se abrigasse,
quando chovesse muito ou fizesse muito frio...
Se eu tivesse um pomar, ele estaria sempre em festa,
cheio de borboletas e pássaros...
Como eu seria feliz, se tivesse um pomar!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ah, se eu pudesse!



Ah, se eu pudesse!
A teu lado as crônicas da vida eu viveria...
Eu me apaixonaria, eu te amaria...
Contigo, podes crer, eu casaria...

Ah, se eu pudesse!
Sentir teu calor, tocar teu corpo...
Alar meu espírito com teu olor...
Estar envolto no teu amor...

Ah, se eu pudesse!
Tê-la em meus braços...
Acariciar tua face...
Beijar tua boca...

Ah, se eu pudesse!
O tempo eu pararia...
E nesse lapso...
Uma eterna história de amor contigo eu viveria...

Gerci Monteiro de Freitas


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vida Nova (Dante Alighieri)



Tão discreta e gentil se me afigura
ao saudar, quando passa, a minha amada,
que a língua não consegue dizer nada
e a fitá-la, o olhar não se aventura.

Ela se vai, sentindo-se louvada,
envolta de modéstia nobre e pura.
Parece que do céu essa criatura
para atestar milagre foi baixada.

Ao que a contempla infunde tal prazer,
pelos olhos transmite tal dulçor,
que só quem prova pode compreender.

E assim, parece, o seu semblante inspira
um delicado espírito de amor
que vai dizendo ao coração: Suspira!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Questão de Pontuação (João Cabral de Melo Neto)



Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):

o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Carta de um Contratado (António Jacinto do Amaral Martins)



Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma cara
amor
uma carta de confidências íntimas
uma carta de lembranças de ti
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que te levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levasse puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta...
Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!

Tomei a liberdade de postar um poema António Jacinto do Amaral, um poeta anti-colonialista, cujos poemas são marcados pelos protestos...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Melisanda (Pablo Neruda)


Seu corpo é uma hóstia fina, mínima e leve,
Tem os azuis dos olhos e as mãos da neve.

E o bosque das arvores parecem-se congelados,
E os pássaros que estão neles estão cansados.

Suas tranças ruivas tocam a água docemente
Como dos braços de ouro brotados da fonte.

Zumbe o vôo perdido das corujas cegas
Melisanda se põem de joelhos - e reza.

As árvores se inclinam até tocar a sua frente,
Os pássaros se mudam na tarde dolente.

Melisanda, a doce, chora junto à fonte.


Pelleas e Melisanda de Pablo Neruda - 1923

sábado, 14 de julho de 2012

Última Folha (Machado de Assis)



Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia.

Dos teus cabelos de ouro, que beijavam
Na amena tarde as virações perdidas,
Deixa cair ao chão as alvas rosas
E as alvas margaridas.

Vês? Não é noite, não, este ar sombrio
Que nos esconde o céu. Inda no poente
Não quebra os raios pálidos e frios
O sol resplandecente.

Vês? Lá ao fundo o vale árido e seco
Abre-se, como um leito mortuário;
Espera-te o silêncio da planície,
Como um frio sudário.

Desce. Virá um dia em que mais bela,
Mais alegre, mais cheia de harmonias,
Voltes a procurar a voz cadente
Dos teus primeiros dias.

Então coroarás a ingênua fronte
Das flores da manhã, — e ao monte agreste,
Como a noiva fantástica dos ermos,
Irás, musa celeste!

Então, nas horas solenes
Em que o místico himeneu
Une em abraço divino
Verde a terra, azul o céu;

Quando, já finda a tormenta
Que a natureza enlutou,
Bafeja a brisa suave
Cedros que o vento abalou;

E o rio, a árvore e o campo,
A areia, a face do mar,
Parecem, como um concerto,
Palpitar, sorrir, orar;

Então sim, alma de poeta,
Nos teus sonhos cantarás
A glória da natureza,
A ventura, o amor e a paz!

Ah! mas então será mais alto ainda;
Lá onde a alma do vate
Possa escutar os anjos,

E onde não chegue o vão rumor dos homens;

Lá onde, abrindo as asas ambiciosas,
Possa adejar no espaço luminoso,
Viver de luz mais viva e de ar mais puro,
Fartar-se do infinito!

Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Elogio de la canción (Gabriela Mistral)



Neste post tomo a liberdade de divulgar a poesia de uma grande poetisa chilena, Gabriela Mistral. Prêmio Nobel de Literatura de 1945, Gabriela Mistral é um pseudônimo de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña, 7 de abril de 1889 — Nova Iorque, 10 de janeiro de 1957), foi, além de poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena. De tão boa, preferi postar apenas em sua língua original. Sem tradução, assim é melhor, para que se possa sentir o poder de seus versos... Elogio de la canción vale cada verso.


¡Boca temblorosa,
boca de canción:
boca, la de Teócrito
y de Salomón!

La mayor caricia
que recibe el mundo,
abrazo el más vivo,
beso el más profundo.

Es el beso ardiente
de una canción:
la de Anacreonte
o de Salomón.

Como el pino mana
su resina suave,
como va espesándose
el plumón del ave,

entre las entrañas
se hace la canción,
y un hombre la vierte
blanco de pasión.

Todo ha sido sorbo,
para las canciones:
cielo, tierra, mares,
civilizaciones...

Cabe el mundo entero
en una canción:
se trenza hecha mirto
con el corazón.

Alabo las bocas
que dieron canción
la de Omar Khayyam,
la de Salomón.

Hombre, carne ciega,
el rostro levanta
a la maravilla
del hombre que canta.

Todo lo que tú amas
en tierra y en cielo,
está entre tus labios
pálidos de anhelo.

Y cuando te pones
su canto a escuchar,
tus entrañas se hacen
vivas como el mar.

Vivió en el Anáhuac,
también en Sión:
es Netzagualcoyotl
como Salomón.

Aguijón de abeja
lleva la canción:
aunque va enmielada
punza de aflicción.

Reyes y mendigos
mecen sus rodillas:
mueve ella las almas
como las gavillas.

Amad al que trae
boca de canción:
el cantor es madre
de la Creación.

Se llamó Petrarca,
se llama Tagore:
numerosos nombres
del inmenso amor.

ENVÍO

México, te alabo,
en esta garganta,
porque hecha de limo
de tus ríos, canta.

Paisaje de Anáhuac,
suave amor eterno,
en estas estrofas
te has hecho falerno.

Al que te ha cantado
digo bendición:
por Netzahualcoyotl
Y por Salomón!


terça-feira, 8 de maio de 2012

ai de mim copacabana (Torquato Neto)



um dia depois do outro
numa casa abandonada
numa avenida
pelas três da madrugada
num barco sem vela aberta
nesse mar
nem mar sem rumo certo
longe de ti
ou bem perto
é indiferente, meu bem

um dia depois do outro
ao teu lado ou sem ninguém
no mês que vem
neste país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim: quero
voar no concorde
tomar o vento de assalto
numa viagem num salto
(você olha nos meus olhos
e não vê nada -
é assim mesmo
que eu quero ser olhado).

um dia depois do outro
talves no ano passado
é indiferente
minha vida tua vida
meu sonho desesperado
nossos filhos nosso fusca
nossa butique na augusta
o ford galaxie, o medo
de não ter um ford galaxie
o táxi, o bonde a rua
meu amor, é indiferente

minha mãe, teu pai a lua
nesse país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim.


Torquato Neto

sábado, 31 de março de 2012

Leilão de jardim Cecília Meireles)



Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão.)

Cecília Meireles

quarta-feira, 14 de março de 2012

Criando poesias



Muitas poesias eu poderia criar
Jogar meus sentimentos num papel
Soltos ao léu
Na forma de um Cordel

Estou em busca do poema perfeito
Que não se perca no tempo
Feito com muito jeito
Na forma de um Soneto

Preciso de alguns versos
Brancos e soltos
Nada que combine
Na forma de um Limerique

Quero brincar de fazer rima
Brincadeira de criança
Curta até demais  
Na forma um Haicai


Gerci Monteiro de Freitas

terça-feira, 13 de março de 2012

Fábulas


Ah, como são belas as fábulas!
Nelas, os bichos falam...
As pedras cantam...
Os vasos choram...
Os sentimentos afloram...
As mensagens rolam.


Gerci Monteiro de Freitas

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sevilha em Casa (João Cabral de Melo Neto)



Tenho Sevilha em minha casa.
Não sou eu que está chez Sevilha.
É Sevilha em mim, minha sala.
Sevilha e tudo o que ela afia.

Sevilha veio a Pernambuco
porque Aloísio lhe dizia
que o Capibaribe e o Guadalquivir
são de uma só maçonaria.

Eis que agora Sevilha cobra
onde a irmandade que haveria:
faço vir as pressas ao Porto
Sevilhana além de Sevilha.

Sevilhana que além do Atlântico
vivia o trópico na sombra
fugindo os sóis Copacabana
traz grossas cortinas de lona

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Trucidaram o rio (Manuel Bandeira)





Prendei o rio
Maltratai o rio
Trucidai o rio
A água não morre
A água é feita
De gotas inermes
Que um dia serão
Maiores que o rio
Grandes como o oceano
Fortes como os gelos
Os gelos polares
Que tudo arrebentam.


Poema extraído do livro: Manuel Bandeira - Estrela da Vida Inteira - Editora Nova Fronteira

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

No Caminho, com Maiakóvski (Eduardo Alves da Costa)



Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

O Melhor Amigo – Fernando Sabino

A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a ...