Um pequeno portal em que seus autores se propõem a contar estórias e fazer pequenos poemas.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Oscar Wilde: No entanto,todo homem mata aquilo que...
No entanto, todo homem mata aquilo que adora,
Que cada um deles seja ouvido.
Alguns procedem com dureza no olhar,
Outros com uma palavra lisonjeira.
O covarde fá-lo com um beijo,
Enquanto o bravo o faz com a espada!
Uns matam o próprio amor quando ainda jovens,
Outros o fazem na velhice;
Uns estrangulam com as mãos da luxúria,
Outros com a mão de Ouro,
O que é bondoso faz uso do punhal,
Porque a morte assim vem mais depressa.
Uns amam pouco tempo, outros demais,
Uns vendem, outros compram;
Alguns praticam a ação com muitas lágrimas
E outros sem um suspiro,sequer:
Pois todo o homem mata o objeto do seu amor
E, no entanto, nem todo homem é condenado à morte.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Eis uma bela poesia, de um dos melhores poetas do século XX, Mário Faustino.
Romance
Para as Festas de Agonia
Vi-te chegar, como havia
Sonhado já que chegasses:
Vinha teu vulto tão belo
Em teu cavalo amarelo,
Anjo meu, que, se me amasses,
Em teu cavalo eu partira
Sem saudade, pena, ou ira;
Teu cavalo, que amarraras
Ao tronco de minha glória
E pastava-me a memória.
Feno de ouro, gramas raras.
Era tão cálido o peito
Angélico, onde meu leito
Me deixaste então fazer,
Que pude esquecer a cor
Dos olhos da Vida e a dor
Que o Sono vinha trazer.
Tão celeste foi a Festa,
Tão fino o Anjo, e a Besta
Onde montei tão serena,
Que posso, Damas, dizer-vos
E a vós, Senhores, tão servos
De outra Festa mais terrena –
Não morri de mala sorte,
Morri de amor pela Morte.
Mário Faustino dos Santos e Silva nasceu no dia 22 de outubro
de 1930, em Teresina, Piauí. Começou muito cedo, aos 16 anos já publicava
crônicas e escrevia poemas. Durante sua breve vida escreveu belos poemas,
muitos deles relacionados à morte. O autor publicou um único livro de poesia em
1955, “O homem e sua hora”. Mário Faustino faleceu aos 32 anos de idade, num
trágico acidente aéreo, curiosamente.
Professor
Adilson Citelli
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
O meu pomar (Cecília Meireles)
Se eu tivesse um pomar, um pequeno pomar que fosse,
não lhe poria grade à roda como os outros proprietários.
Não poria a guardá-lo, um desses cães enormes, rancorosos,
que andam sempre rondando os pomares...
O meu pomar seria assim: todo aberto, para todos.
E, quando o outono chegasse e as árvores ficassem cheias de frutos amarelos
e vermelhos, nenhum pobrezinho teria fome,
nenhuma criança choraria de sede, passando pelo meu pomar...
E, no inverno, ainda haveria lá onde alguém se abrigasse,
quando chovesse muito ou fizesse muito frio...
Se eu tivesse um pomar, ele estaria sempre em festa,
cheio de borboletas e pássaros...
Como eu seria feliz, se tivesse um pomar!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Ah, se eu pudesse!
Ah, se eu pudesse!
A teu lado as crônicas da vida eu viveria...
Eu me apaixonaria, eu te amaria...
Contigo, podes crer, eu casaria...
Ah, se eu pudesse!
Sentir teu calor, tocar teu corpo...
Alar meu espírito com teu olor...
Estar envolto no teu amor...
Ah, se eu pudesse!
Tê-la em meus braços...
Acariciar tua face...
Beijar tua boca...
Ah, se eu pudesse!
O tempo eu pararia...
E nesse lapso...
Uma eterna história de amor contigo eu viveria...
Gerci Monteiro de Freitas
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Vida Nova (Dante Alighieri)
ao saudar, quando passa, a minha amada,
que a língua não consegue dizer nada
e a fitá-la, o olhar não se aventura.
Ela se vai, sentindo-se louvada,
envolta de modéstia nobre e pura.
Parece que do céu essa criatura
para atestar milagre foi baixada.
Ao que a contempla infunde tal prazer,
pelos olhos transmite tal dulçor,
que só quem prova pode compreender.
E assim, parece, o seu semblante inspira
um delicado espírito de amor
que vai dizendo ao coração: Suspira!
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Questão de Pontuação (João Cabral de Melo Neto)
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Carta de um Contratado (António Jacinto do Amaral Martins)
Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...
Eu queria escrever-te uma cara
amor
uma carta de confidências íntimas
uma carta de lembranças de ti
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...
Eu queria escrever-te uma carta
amor
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura nossa separação...
Eu queria escrever-te uma carta
amor
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...
Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que te levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levasse puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...
Eu queria escrever-te uma carta...
Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!
Tomei a liberdade de postar um poema António Jacinto do Amaral, um poeta anti-colonialista, cujos poemas são marcados pelos protestos...
sábado, 14 de julho de 2012
Última Folha (Machado de Assis)
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia.
Dos teus cabelos de ouro, que beijavam
Na amena tarde as virações perdidas,
Deixa cair ao chão as alvas rosas
E as alvas margaridas.
Vês? Não é noite, não, este ar sombrio
Que nos esconde o céu. Inda no poente
Não quebra os raios pálidos e frios
O sol resplandecente.
Vês? Lá ao fundo o vale árido e seco
Abre-se, como um leito mortuário;
Espera-te o silêncio da planície,
Como um frio sudário.
Desce. Virá um dia em que mais bela,
Mais alegre, mais cheia de harmonias,
Voltes a procurar a voz cadente
Dos teus primeiros dias.
Então coroarás a ingênua fronte
Das flores da manhã, — e ao monte agreste,
Como a noiva fantástica dos ermos,
Irás, musa celeste!
Então, nas horas solenes
Em que o místico himeneu
Une em abraço divino
Verde a terra, azul o céu;
Quando, já finda a tormenta
Que a natureza enlutou,
Bafeja a brisa suave
Cedros que o vento abalou;
E o rio, a árvore e o campo,
A areia, a face do mar,
Parecem, como um concerto,
Palpitar, sorrir, orar;
Então sim, alma de poeta,
Nos teus sonhos cantarás
A glória da natureza,
A ventura, o amor e a paz!
Ah! mas então será mais alto ainda;
Lá onde a alma do vate
Possa escutar os anjos,
E onde não chegue o vão rumor dos homens;
Lá onde, abrindo as asas ambiciosas,
Possa adejar no espaço luminoso,
Viver de luz mais viva e de ar mais puro,
Fartar-se do infinito!
Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia!
terça-feira, 8 de maio de 2012
ai de mim copacabana (Torquato Neto)
um dia depois do outro
numa casa abandonada
numa avenida
pelas três da madrugada
num barco sem vela aberta
nesse mar
nem mar sem rumo certo
longe de ti
ou bem perto
é indiferente, meu bem
um dia depois do outro
ao teu lado ou sem ninguém
no mês que vem
neste país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim: quero
voar no concorde
tomar o vento de assalto
numa viagem num salto
(você olha nos meus olhos
e não vê nada -
é assim mesmo
que eu quero ser olhado).
um dia depois do outro
talves no ano passado
é indiferente
minha vida tua vida
meu sonho desesperado
nossos filhos nosso fusca
nossa butique na augusta
o ford galaxie, o medo
de não ter um ford galaxie
o táxi, o bonde a rua
meu amor, é indiferente
minha mãe, teu pai a lua
nesse país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim.
Torquato Neto
terça-feira, 13 de março de 2012
Fábulas
Ah, como são belas as fábulas!
Nelas, os bichos falam...
As pedras cantam...
Os vasos choram...
Os sentimentos afloram...
As mensagens rolam.
Gerci Monteiro de Freitas
domingo, 10 de julho de 2011
A canoa fantástica (Castro Alves)
Pelas sombras temerosas
Onde vai esta canoa?
Vai tripulada ou perdida?
Vai ao certo ou vai à toa?
Semelha um tronco gigante
De palmeira, que s'escoa...
No dorso da correnteza,
Como bóia esta canoa!...
Mas não branqueja-lhe a vela!
N'água o remo não ressoa!
Serão fantasmas que descem
Na solitária canoa?
Que vulto é este sombrio
Gelado, imóvel, na proa?
Dir-se-ia o gênio das sombras
Do inferno sobre a canoa!...
Foi visão? Pobre criança!
À luz, que dos astros coa,
É teu, Maria, o cadáver,
Que desce nesta canoa?
Caída, pálida, branca!...
Não há quem dela se doa?!...
Vão-lhe os cabelos a rastos
Pela esteira da canoa!...
E as flores róseas dos golfos,
— Pobres flores da lagoa,
Enrolam-se em seus cabelos
E vão seguindo a canoa!...
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Dor latente
Quando te vejo
Sinto uma dor
Muito forte em meu peito
Uma dor latente
Nada aparente
Somente o desejo
De te dar um beijo ardente
Gerci Monteiro de Freitas
Sinto uma dor
Muito forte em meu peito
Uma dor latente
Nada aparente
Somente o desejo
De te dar um beijo ardente
Gerci Monteiro de Freitas
segunda-feira, 18 de abril de 2011
DEVOLVE (Mário Lago)
Devolve toda a tranqüilidade
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi
Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci
Devolve, eu peço, por favor
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci
Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti.
Mário Lago
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi
Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci
Devolve, eu peço, por favor
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci
Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti.
Mário Lago
sábado, 2 de abril de 2011
Nu (Manoel Bandeira)
Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.
(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.
Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.
Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.
Teus seios exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -
Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!
Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.
Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.
Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...
Poema extraído do livro: Manoel Bandeira - Estrela da Vida Inteira
Editora Nova Fronteira
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.
(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.
Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.
Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.
Teus seios exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -
Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!
Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.
Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.
Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...
Poema extraído do livro: Manoel Bandeira - Estrela da Vida Inteira
Editora Nova Fronteira
sexta-feira, 4 de março de 2011
Ermida
Preciso de um lugar para pensar
Um lugar onde o tempo não importe
Um lugar em que eu tenha paz
Um lugar meu, só meu
Um lugar onde eu possa me reencontrar
Preciso refugiar-me à sombra do passado
Passado repleto de bons e maus momentos
Passado que me foi efêmero, porém, tenaz
Passado breve como o pulsar de um colibri
Passado de belos e puros sentimentos
Preciso pensar em minhas jornadas
Jornadas iniciadas e concluídas
Jornadas que estão por vir
Jornadas belas e triunfantes
Jornadas terrificantes e fragorosas
Preciso pensar à luz do futuro
Futuro que me aguarda
Futuro envolto em incertezas
Futuro com vários caminhos a seguir
Futuro cheio de esperança
Vivi o meu passado
Viverei o meu futuro
Vivo o meu presente
Talvez a minha ermida seja o presente
O presente, nele encontro o meu cantinho ermo
Vivendo o presente, sinto a vida
A vida a pulsar incessantemente
A vida de belos caminhos
A vida dos bons e maus sentimentos
Preciso seguir a minha vida
Preciso seguir em frente
Vivendo o meu presente...
Um lugar onde o tempo não importe
Um lugar em que eu tenha paz
Um lugar meu, só meu
Um lugar onde eu possa me reencontrar
Preciso refugiar-me à sombra do passado
Passado repleto de bons e maus momentos
Passado que me foi efêmero, porém, tenaz
Passado breve como o pulsar de um colibri
Passado de belos e puros sentimentos
Preciso pensar em minhas jornadas
Jornadas iniciadas e concluídas
Jornadas que estão por vir
Jornadas belas e triunfantes
Jornadas terrificantes e fragorosas
Preciso pensar à luz do futuro
Futuro que me aguarda
Futuro envolto em incertezas
Futuro com vários caminhos a seguir
Futuro cheio de esperança
Vivi o meu passado
Viverei o meu futuro
Vivo o meu presente
Talvez a minha ermida seja o presente
O presente, nele encontro o meu cantinho ermo
Vivendo o presente, sinto a vida
A vida a pulsar incessantemente
A vida de belos caminhos
A vida dos bons e maus sentimentos
Preciso seguir a minha vida
Preciso seguir em frente
Vivendo o meu presente...
terça-feira, 1 de março de 2011
Aquarela (Vinícius e Toquinho)
Esta música de Toquinho tem as participações de grandes nomes, principalmente Vinícius de Moraes. Com a participação de Vinícius surgiu esta obra prima, ela deve ser cantada, lida e declamada aos quatro cantos do planeta, pois o que é belo tem de ser divulgado.
Aquarela
Toquinho
Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes / G.Morra / M.Fabrizio
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...
Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...
Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)
Aquarela
Toquinho
Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes / G.Morra / M.Fabrizio
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...
Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...
Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Dois lindos poemas de Cora Coralina
O Cântico da Terra
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Cora Coralina
Mãe
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
Cora Coralina
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Cora Coralina
Mãe
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
Cora Coralina
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Bem-aventurado seja...
Bem-aventurado seja aquele que tem fé no próximo
O próximo? Ei-lo cá
Pois o próximo é a salvação para a solidão
Bem-aventurado seja aquele que crê na bondade
A bondade? Ei-la cá
Pois a bondade acompanha os puros de coração
Bem-aventurado seja aquele que tem fé no amor
O amor? Ei-lo cá
Pois o amor é o mais belo dos sentimentos humanos
Bem-aventurados sejam os que cultivam a amizade verdadeira
A amizade verdadeira resiste a todas as tempestades
Bem-aventurados sejam os que semeam a paz
A paz é um sonho difícil de alcançar
Bem-aventurados sejam os que sabem perdoar
O perdão é um ato de nobreza
Bem-aventurados sejam os que agem com sabedoria
A sabedoria é a arma contra a ruína dos povos
Bem-aventurados sejamos todos, pois a vida é a bem-aventurança
O próximo? Ei-lo cá
Pois o próximo é a salvação para a solidão
Bem-aventurado seja aquele que crê na bondade
A bondade? Ei-la cá
Pois a bondade acompanha os puros de coração
Bem-aventurado seja aquele que tem fé no amor
O amor? Ei-lo cá
Pois o amor é o mais belo dos sentimentos humanos
Bem-aventurados sejam os que cultivam a amizade verdadeira
A amizade verdadeira resiste a todas as tempestades
Bem-aventurados sejam os que semeam a paz
A paz é um sonho difícil de alcançar
Bem-aventurados sejam os que sabem perdoar
O perdão é um ato de nobreza
Bem-aventurados sejam os que agem com sabedoria
A sabedoria é a arma contra a ruína dos povos
Bem-aventurados sejamos todos, pois a vida é a bem-aventurança
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Sampa
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa cosmopolita
Sampa ostentadora
Sampa desoladora
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa imponente
Sampa onipresente
Sampa ausente
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa modernista
Sampa vanguardista
Sampa conservacionista
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa surpreendente
Sampa esplendente
Sampa plangente
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa amada
Sampa venerada
Sampa odiada
Sampa cosmopolita
Sampa ostentadora
Sampa desoladora
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa imponente
Sampa onipresente
Sampa ausente
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa modernista
Sampa vanguardista
Sampa conservacionista
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa surpreendente
Sampa esplendente
Sampa plangente
Sampa, Sampa, Sampa
Sampa amada
Sampa venerada
Sampa odiada
sábado, 15 de janeiro de 2011
Rio, por que chora?
De todas as filhas do Brasil
Você é a mais bela
Se a terra fosse uma constelação
Você seria a estrela D’alva.
Rio, seu encanto me fascina
Como um raio de sol me ilumina
Se a América fosse um jardim
Você seria uma linda rosa.
Então por que tanto chora?
Rio, por que chora?
Chora o esquecimento
O inexplicável esquecimento.
Rio da alegria, Rio da fantasia
Rio imortal, Rio fenomenal
Se fosse uma mulher
Você seria a mais enamorada.
Por todas é admirada
Você é o símbolo do Brasil
Se vivêssemos um conto de fadas
Você seria a princesa encantada.
Então por que tanto chora?
Rio, por que chora?
Chora o esquecimento
O inexplicável esquecimento.
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