segunda-feira, 7 de março de 2011

Mulher

Tu és a luz que me ilumina, tu és o meu sol

Tu és o sul, tu és o norte

Tu és a trilha, tu és o destino

Tu és a razão do meu viver, por ti respiro

Mulher amada, mulher adorada

Por ti enveredei pelo caminho da arte

Por ti descobri novos horizontes

Por ti fui desbravador, por ti fui criador

Mulher, por ti lutei várias guerras

Em teu nome selei a paz

Mulher, contigo descobri o amor

Contigo aprendi o verdadeiro significado do amor

Mulher, bendita é a tua existência

De uma costela minha foste criada

Tu és parte de mim, somos um só em carne e espírito

Minha companheira, caminha ao meu lado para todo o sempre...

sábado, 5 de março de 2011

A verdade e a parábola (Contos Judaícos)

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

— Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

— Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.

— Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.


Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Parábola do sapo fervido

Vários estudos biológicos provam que um sapo colocado num recipiente, com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo que aquecemos a água, até que ferva. O sapo não reage ao gradual aumento da temperatura (mudanças do ambiente) e morre quando a água ferve. lnchadinho e feliz. Por outro lado, outro sapo que seja jogado neste recipiente já com a água fervendo salta imediatamente para fora. Meio chamuscado, porém vivo!

Muitos de nós têm comportamento similar ao do SAPO FERVIDO. Não percebem as mudanças, acham que está tudo bem, que vai passar, que é só dar um tempo! E "quebram" ou fazem um grande estrago em suas empresas, "morrendo" inchadinhos e felizes, sem terem percebido as mudanças. Outros, graças a Deus, aos serem confrontados com as transformações, pulam, saltam; em ações que representam, na metáfora, as mudanças necessárias.

Temos vários sapos fervidos por aí, prestes a morrer, porém boiando estáveis e impávidos na água que se aquece a cada minuto. Sapos fervidos que não perceberam que o conceito de administrar mudou.

O antigo "administrar é obter resultados através das pessoas" foi gradualmente substituídos por administrar é fazer as pessoas crescerem através do seu trabalho, atingindo os objetivos da empresa e satisfazendo suas próprias necessidades".

Os sapos fervidos não perceberam, também, que seus gerentes, além de serem eficientes (fazer certo as coisas), precisam ser eficazes (fazer as coisas certas). E que para isso o clima interno tem que ser favorável ao crescimento profissional com espaço para o diálogo, para comunicação clara, para o compartilhamento, para o planejamento e para uma relação adulta.
O desafio ainda maior está na humildade de atuar de forma coletiva. Fizemos durante muitos anos culto ao individualismo e a turbulência exige hoje, o esforço coletivo, que é a essência da eficácia, como resposta. Tomar as ações coletivas exige, fundamentalmente, muita competência interpessoal para o desenvolvimento e o espírito de equipe; exige saber partilhar o poder, delegar, acreditar no potencial das pessoas e saber ouvir Os Sapos Fervidos, que ainda acreditam que o fundamental é a obediência e não a competência que manda quem pode e obedece quem tem juízo,"boiarão" no mundo da produtividade, da qualidade e do livre mercado.


Fonte: Luiz Carlos Cabrera - Professor da Fundação Getúlio Vargas.

Ermida

Preciso de um lugar para pensar
Um lugar onde o tempo não importe
Um lugar em que eu tenha paz
Um lugar meu, só meu
Um lugar onde eu possa me reencontrar

Preciso refugiar-me à sombra do passado
Passado repleto de bons e maus momentos
Passado que me foi efêmero, porém, tenaz
Passado breve como o pulsar de um colibri
Passado de belos e puros sentimentos

Preciso pensar em minhas jornadas
Jornadas iniciadas e concluídas
Jornadas que estão por vir
Jornadas belas e triunfantes
Jornadas terrificantes e fragorosas

Preciso pensar à luz do futuro
Futuro que me aguarda
Futuro envolto em incertezas
Futuro com vários caminhos a seguir
Futuro cheio de esperança

Vivi o meu passado
Viverei o meu futuro
Vivo o meu presente
Talvez a minha ermida seja o presente
O presente, nele encontro o meu cantinho ermo

Vivendo o presente, sinto a vida
A vida a pulsar incessantemente
A vida de belos caminhos
A vida dos bons e maus sentimentos
Preciso seguir a minha vida
Preciso seguir em frente
Vivendo o meu presente...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Agradecendo os espinhos (Texto de Autor Desconhecido)

Era véspera do Dia de Ação de Graças.
Sandra sentia-se muito infeliz quando entrou na floricultura. Tinha perdido seu filho num acidente de carro quando estava grávida... Seu marido estava na iminência de ser transferido... Sua irmã cancelara a visita que lhe faria no feriado...


Ação de Graças? Agradecer o quê? - pensou.
A balconista perguntou-lhe:
- Quer um arranjo tradicional ou gostaria de levar meu arranjo "Especial"?
- Eu não tenho nada que agradecer!
- Pois tenho o arranjo perfeito para você.

- Este é o arranjo "Especial". Chamo-o de Buquê de Espinhos de Ação de Graças - explicou a balconista.
- Mas o que a levou a criar o buquê de espinhos? - perguntou Sandra.
- Eu aprendi a ser grata pelos espinhos... Sempre agradeci a Deus pelas boas coisas. Mas quando vieram coisas ruins, eu chorei e gritei! Demorei para aprender que tempos difíceis são importantes para a nossa fé e nosso fortalecimento e para aprender a valorizar a nossa vida e seus bons momentos.
Sandra comentou:
- Perdi meu bebê e eu estou zangada com Deus...

Neste momento entrou um homem na loja, que também viera buscar um arranjo de talos espinhosos para sua esposa.
- Por que ela quer um buquê desse tipo? - perguntou Sandra, incrédula.
- Eu e minha esposa quase nos divorciamos. Enfrentamos muitos problemas, mas salvamos nosso casamento. O arranjo Especial nos lembra os tempos "espinhosos" porque eles nos ensinaram muito!
- Não sei se posso ser grata pelos espinhos em minha vida. É tudo tão recente...
A balconista respondeu, carinhosamente:
- Minha experiência me mostrou que os espinhos tornam as rosas mais preciosas.
Lágrimas rolaram pela face de Sandra.
- Vou levar uma dúzia destes talos cheios de espinhos. Quanto lhe devo?
- Nada. O primeiro arranjo é sempre por minha conta.
A balconista sorriu e lhe entregou o arranjo "especial"...

Neste momento entrou uma cliente para recolher um arranjo de folhagens e talos cheios de espinhos, mas sem nenhuma flor.
Sandra ficou pensando por que alguém pagaria por talos espinhosos sem flor.

terça-feira, 1 de março de 2011

Aquarela (Vinícius e Toquinho)

Esta música de Toquinho tem as participações de grandes nomes, principalmente Vinícius de Moraes. Com a participação de Vinícius surgiu esta obra prima, ela deve ser cantada, lida e declamada aos quatro cantos do planeta, pois o que é belo tem de ser divulgado.

Aquarela
Toquinho

Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes / G.Morra / M.Fabrizio

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...

Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...

Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...

Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...

Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...

Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...

Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...

De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...

Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O FILÓSOFO (Humberto de Campos)

Educado no Colégio Caraça, o coronel Venâncio Figueira, fazendeiro em Uberaba, havia se contaminado, pouco a pouco, de filosofia e de latim, de modo a preocupar-se, mais do que o necessário, com os graves problemas da vida. Manuseador quotidiano de certos autores profanos, ele se punha, às vezes, a pensar, no alpendre da sua casa de fazenda:

- Sim, senhor! Esses filósofos têm razão! Este mundo é tão desigual, tão cheio de injustiças, de irregularidades clamorosas, que qualquer mortal, encarregado de fazê-lo, o teria feito melhor!

E acentuava, melancólico:

- Este mundo está muito mal feito!...

À noite, porém, reunida a família na sala de jantar, o velho fazendeiro arreganhava os óculos no nariz, tomava a "Bíblia", chegava para mais perto o lampião de querosene, e punha-se a ler, pausado, o "Livro de Jó". E começava, de novo, a meditar, diante destas palavras do capitulo 38:

"4. Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.

"25 - Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos e trovões?

"41 - Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus filhotes implumes gritam a Deus, e andam vagueando por não terem de comer?"

Certo dia, dominado pelas idéias reacionárias bebidas em autores modernos, passeava o coronel pelo pátio da fazenda, quando, ao ver as andorinhas que voejavam por cima do gado, voltou novamente a raciocinar:

- É isso mesmo, não há duvida! O mundo é muito mal arranjado. Aqui está, por exemplo; este boi. Porque, tendo ele chifres, patas, orelhas, e sendo tão forte, há de viver sempre na terra, a arrastar-se pelo solo, quando aquela andorinha, que não tem nada disso, se locomove, rápida, ligeira, dominando os ares?

Nesse momento, porém, uma andorinha que lhe passava por cima, deixou escapar alguma cousa que lhe fazia sobrecarga, e que foi cair, certeira, na cabeça descoberta do coronel. Este levou a mão instintivamente à calva, e, olhando os dedos brancos daquela indignidade, caiu de joelhos, clamando, arrependido:

- Perdoai-me, Senhor, perdoai-me! O mundo está muito bem organizado! O que nele há, o que nele vive, o que nele existe, foi feito com perfeição, com acerto, com sabedoria!

E levantando-se, limpando a mão:

- Imagine-se que fosse um boi....

O Melhor Amigo – Fernando Sabino

A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a ...