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By Ferramentas Blog

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A flor (texto de Autor Desconhecido)




O local estava deserto quando sentei-me para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho. Desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois tinha a impressão que o mundo estava tentando me afundar. E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante chegou perto de mim, cansado de brincar. Ele parou na minha frente, cabeça pendente, e disse cheio de alegria:
- Veja o que encontrei!

Na sua mão uma flor. E que visão lamentável! Estava murcha com muitas pétalas caídas...

Querendo ver-me livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e virei-me.
Mas ao invés de recuar, ele sentou-se ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:
- O cheiro é ótimo, e é bonita também... Por isso a peguei. Pegue-a, é sua!

A flor à minha frente estava morta ou morrendo. Nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá. Então estendi-me para pegá-la e respondi:
- Era o que eu precisava...

Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão.
Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, e que não podia ver o que tinha nas mãos. Senti minha voz sumir. Lágrimas despontaram ao sol, enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.
- De nada... - respondeu sorrindo.

E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia.
Sentei-me e comecei a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho. Como ele sabia do meu sofrimento auto-indulgente? Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão.

Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim EU! E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciar cada segundo que é só meu. Então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela flor, e sorri enquanto via aquele garoto com outra flor em suas mãos prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade...

As melhores coisas da vida são vistas com o coração!

domingo, 6 de janeiro de 2013

A felicidade não está onde se procura



Nasrudin encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho e perguntou-lhe os motivos de tanta aflição.

- Não há nada na vida que interesse, irmão. Tenho dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vida que levo em casa. Até agora, eu nada encontrei.

Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo, correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boa distância.

A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando o caminho por vários atalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que havia roubado. Colocou a mochila bem do lado da estrada e escondeu-se à espera do outro. Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz do que nunca pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, à mão, correu para pegá-la, dando gritos de alegria.

- Essa é uma maneira de se produzir felicidade - disse Nasrudin.

Contos Sufi de Nasrudin

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Estrela cadente (Roseana Murray)



Quando eu estiver com o olhar distante, maninha,
com um jeito esquisito de quem não está presente,
não se assuste, ó maninha,
fui logo ali, no quintal do céu,
colher uma estrela cadente.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O meu pomar (Cecília Meireles)



Se eu tivesse um pomar, um pequeno pomar que fosse,
não lhe poria grade à roda como os outros proprietários.
Não poria a guardá-lo, um desses cães enormes, rancorosos,
que andam sempre rondando os pomares...
O meu pomar seria assim: todo aberto, para todos.
E, quando o outono chegasse e as árvores ficassem cheias de frutos amarelos
e vermelhos, nenhum pobrezinho teria fome,
nenhuma criança choraria de sede, passando pelo meu pomar...
E, no inverno, ainda haveria lá onde alguém se abrigasse,
quando chovesse muito ou fizesse muito frio...
Se eu tivesse um pomar, ele estaria sempre em festa,
cheio de borboletas e pássaros...
Como eu seria feliz, se tivesse um pomar!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A águia e o pardal (Esopo)



O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração. Sentia vontade em voar como a águia, mas não sabia como o fazer. Sentia vontade em ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza...

Um dia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiu da sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. Foi quando levou um enorme susto: deparou de uma forma muito repentina com a grande águia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro.

aiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietude apenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:

- Por que estás a me vigiar, Andala?

- Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.

- E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas?

- Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho...

O pardal suspirou olhando para o chão... E disse:

- Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te.

- E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan.

- Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente...

- Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita!

E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente:

- Andala, apenas mais uma coisa: Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade em teu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas, serás livre! Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com tua escolha!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

My My, Hey Hey – Para quem gosta do velho e bom Rock and Roll




Esta composição da década de 70 é uma maravilha! Obra de Neil Young - o cara que é uma lenda do rock americano - “My My, Hey Hey (Out of the blue)” foi composta mais precisamente em 1978, quase no finalzinho da década. Falar que as décadas passadas foram mais privilegiadas que a década em que vivemos é, no mínimo, chover no molhado. Os anos 70 em questão foram pródigos quando se fala em Rock and Roll. Não que os outros não fossem. Nada disso. Fossemos falar de todas as maravilhas do rock produzidas em décadas passadas ficaríamos falando, falando e seria muito difícil pararmos... Mas esta música em especial merece um destaque, uma homenagem pelo que foi e pelo que representa Neil Young para o rock mundial. No tempo em que os artistas sabiam protestar. Havia motivo para protestos e eles aconteciam com propriedade. Hoje não, apesar de motivos não faltarem. A preferência hoje em dia é pela futilidade...

My My, Hey Hey (out of the blue) 
Composição: Neil Young

My my, hey hey
Rock and roll is here to stay
It's better to burn out
Than to fade away
My my, hey hey.

Out of the blue and into the black
They give you this, but you pay for that
And once you're gone, you can never come back
When you're out of the blue and into the black.

The king is gone but he's not forgotten
This is the story of a Johnny Rotten
It's better to burn out than it is to rust
The king is gone but he's not forgotten.

Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There's more to the picture
Than meets the eye.
Hey hey, my my.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ah, se eu pudesse!



Ah, se eu pudesse!
A teu lado as crônicas da vida eu viveria...
Eu me apaixonaria, eu te amaria...
Contigo, pode crer, eu casaria...

Ah, se eu pudesse!
Sentir teu calor, tocar teu corpo...
Alar meu espírito com teu olor...
Estar envolto no teu amor...

Ah, se eu pudesse!
Tê-la em meus braços...
Acariciar tua face...
Beijar tua boca...

Ah, se eu pudesse!
O tempo eu pararia...
E nesse lapso...
Uma eterna história de amor contigo eu viveria...

Gerci Monteiro de Freitas


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Final Countdown - Cello and orchestra



Final Countdown é uma música imponente, monumental. É daquelas que podem ser tocadas em vários estilos e com vários instrumentos musicais. A banda Europe, famosa por seu som pesado, conseguiu sucesso internacional através desta música, misturando heavy metal, sinfonia e hard rock. No entanto, três jovens impressionam tocando violoncelos acompanhados de uma orquestra sinfônica. Um verdadeiro Show!

Final Countdown, Cello and Orchestra - Eis a prova de que a arte não tem limites

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ancestralidade (Birago Diop)



Ouça no vento
O soluço do arbusto:
É o sopro dos antepassados.
Nossos mortos não partiram.
Estão na densa sombra.
Os mortos não estão sobre a terra.
Estão na árvore que se agita,
Na madeira que geme,
Estão na água que flui,
Na água que dorme,
Estão na cabana, na multidão;
Os mortos não morreram...
Nossos mortos não partiram:
Estão no ventre da mulher
No vagido do bebê
E no tronco que queima.
Os mortos não estão sobre a terra:
Estão no fogo que se apaga,
Nas plantas que choram,
Na rocha que geme,
Estão na casa.
Nossos mortos não morreram.


Ismael Birago Diop, natural de Senegal, além de poeta e contador de histórias, claro, escritor também, foi veterinário e diplomata. Que belo currículo, não?! 

Vida Nova (Dante Alighieri)



Tão discreta e gentil se me afigura
ao saudar, quando passa, a minha amada,
que a língua não consegue dizer nada
e a fitá-la, o olhar não se aventura.

Ela se vai, sentindo-se louvada,
envolta de modéstia nobre e pura.
Parece que do céu essa criatura
para atestar milagre foi baixada.

Ao que a contempla infunde tal prazer,
pelos olhos transmite tal dulçor,
que só quem prova pode compreender.

E assim, parece, o seu semblante inspira
um delicado espírito de amor
que vai dizendo ao coração: Suspira!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Questão de Pontuação (João Cabral de Melo Neto)



Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):

o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Vou-me embora pra pasárgada (Manuel Bandeira)



Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que eu escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Este talvez seja o poema mais conhecido de Manuel Bandeira. Obrigatório no antigo segundo grau e creio que deva ser obrigatório nos dias de hoje também... Manuel Bandeira, o maior poeta brasileiro e um de seus mais belos poemas.

Carta de um Contratado (António Jacinto do Amaral Martins)



Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma cara
amor
uma carta de confidências íntimas
uma carta de lembranças de ti
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que te levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levasse puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta...
Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!

Tomei a liberdade de postar um poema António Jacinto do Amaral, um poeta anti-colonialista, cujos poemas são marcados pelos protestos...

domingo, 5 de agosto de 2012

A Bronca (Texto de Autor Desconhecido)



Era a primeira aula do dia, depois de um longo feriado. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas e a excitação era geral. 

O experiente professor entrou na sala e imediatamente percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio. Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas a turma não correspondeu.

Com um certo constrangimento, o professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, a conversa continuou firme. Foi aí que o professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que a turma tinha presenciado. Assim se expressou:

- Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez - disse, levantando a voz.

Um silêncio de culpa se instalou em toda a sala e o professor continuou:

- Desde que comecei a lecionar, isso já faz muitos anos, descobri que nós, professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Em todos esses anos observei que de cada cem alunos, apenas cinco são realmente aqueles que fazem alguma diferença no futuro, apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os outros 95% servem apenas para fazer volume. São medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.

O interessante é que esta porcentagem vale para todo o mundo.

Se vocês prestarem atenção, notarão que de cem professores, apenas cinco são aqueles que fazem a diferença, de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros profissionais; e poderia generalizar ainda mais; de cem pessoas, apenas cinco são verdadeiramente especiais.

É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível, eu deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranquilo sabendo ter investido nos melhores.

Mas infelizmente não há como saber quais de vocês são estes alunos.

Só o tempo é capaz de mostrar isso. Portanto, terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto. Claro que cada um de vocês sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos a aula de hoje.

Nem é preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso. Aliás, a bronca tocou fundo na turma e teve um comportamento exemplar em todas as aulas durante todo o semestre, afinal quem gostaria de espontaneamente ser classificado como fazendo parte do resto?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Melisanda (Pablo Neruda)


Seu corpo é uma hóstia fina, mínima e leve,
Tem os azuis dos olhos e as mãos da neve.

E o bosque das arvores parecem-se congelados,
E os pássaros que estão neles estão cansados.

Suas tranças ruivas tocam a água docemente
Como dos braços de ouro brotados da fonte.

Zumbe o vôo perdido das corujas cegas
Melisanda se põem de joelhos - e reza.

As árvores se inclinam até tocar a sua frente,
Os pássaros se mudam na tarde dolente.

Melisanda, a doce, chora junto à fonte.


Pelleas e Melisanda de Pablo Neruda - 1923

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Última Folha (Machado de Assis)



Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia.

Dos teus cabelos de ouro, que beijavam
Na amena tarde as virações perdidas,
Deixa cair ao chão as alvas rosas
E as alvas margaridas.

Vês? Não é noite, não, este ar sombrio
Que nos esconde o céu. Inda no poente
Não quebra os raios pálidos e frios
O sol resplandecente.

Vês? Lá ao fundo o vale árido e seco
Abre-se, como um leito mortuário;
Espera-te o silêncio da planície,
Como um frio sudário.

Desce. Virá um dia em que mais bela,
Mais alegre, mais cheia de harmonias,
Voltes a procurar a voz cadente
Dos teus primeiros dias.

Então coroarás a ingênua fronte
Das flores da manhã, — e ao monte agreste,
Como a noiva fantástica dos ermos,
Irás, musa celeste!

Então, nas horas solenes
Em que o místico himeneu
Une em abraço divino
Verde a terra, azul o céu;

Quando, já finda a tormenta
Que a natureza enlutou,
Bafeja a brisa suave
Cedros que o vento abalou;

E o rio, a árvore e o campo,
A areia, a face do mar,
Parecem, como um concerto,
Palpitar, sorrir, orar;

Então sim, alma de poeta,
Nos teus sonhos cantarás
A glória da natureza,
A ventura, o amor e a paz!

Ah! mas então será mais alto ainda;
Lá onde a alma do vate
Possa escutar os anjos,

E onde não chegue o vão rumor dos homens;

Lá onde, abrindo as asas ambiciosas,
Possa adejar no espaço luminoso,
Viver de luz mais viva e de ar mais puro,
Fartar-se do infinito!

Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia!

domingo, 8 de julho de 2012

Pas Besoin De Toi (Joyce Jonathan)



Para quem aprecia a música francesa, principalmente as antigas, mas sente falta de novos talentos no cenário atual. Sorria, há um alento. Joyce Jonathan, nascida em 03 de novembro de 1989, uma francesinha meiga, de voz suave e doce. Ela lembra a Marisa Monte se comparada a uma cantora brasileira. Com canções agradáveis de ouvir, melodias encantadoras. Ela se destacou já em seu primeiro álbum, Sur mes gardes, lançado em 2010 na flor de seus dezoito aninhos... Ao lado de Autour de Lucie, uma banda francesa igualmente talentosa, está à frente da nova geração de bons cantores franceses. Separei uma especial para que meus leitores tenham conhecimento de seu trabalho. Vale a pena, podem apostar.

Pas Besoin De Toi

Sur l'oreiller une larme
Dans mon souvenir un drame
Tout ce qu'il m'a laissé
Un pas que l'on croit entendre
Une voix que l'on veut surprendre
Tous ça c'est du, du passé

Refrain:

Je m'en fous
J'ai pas besoin de toi
Pas besoin de tes bras
Ton image reflète ce que j'aime pas
Quelques soit les recours,
Les appels au secours,
Surtout ne te retourne pas
Cours, cours loin
Le chemin est long
Avant qu'une autre te prenne la main

Ensorcelée ces soirs,
Je continue à y croire
A lui, à nous...
Un bout de tissu parfumé
Le temps ne l'a pas enlevé
De ça, de moi, de tout
J'm'en fous...

Refrain:

J'ai pas besoin de toi
Pas besoin de tes bras
Ton image reflète ce que j'aime pas
Quelques soit les recours,
Les appels au secours,
Surtout ne te retourne pas
Cours, cours loin
Le chemin est long
Avant qu'une autre te prenne la main

Avant qu'une autre te... prenne la main


Tradução:

Não Preciso de Você

Sobre o travesseiro uma lágrima
Na minha memória, um drama
Tudo o que ele me deixou
Um passo que acreditamos ouvir
Uma voz que queremos surpreender
Tudo isso é do, do passado

Refrão:

Eu não me importo
Eu não preciso de você
Não preciso de seus braços
Sua imagem reflete o que eu não amo
Seja qual for o recurso,
Os pedidos de socorro,
Sobretudo, não olhe para trás
Corro, corro longe
O caminho é longo
Antes que uma outra pegue sua mão

Enfeitiçada essas noites,
Eu continuo a acreditar
Nele, em nós...
Um pedaço de pano perfumado
O tempo não levou
Disso, de mim, de tudo
Eu não me importo

Refrão:

Eu não preciso de você
Não preciso de seus braços
Sua imagem reflete o que eu não amo
Seja qual for o recurso,
Os pedidos de socorro,
Sobretudo, não olhe para trás
Corro, corro longe
O caminho é longo
Antes que uma outra pegue sua mão

Antes que uma outra... Pegue sua mão

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Arte de Amar (Manuel Bandeira)




Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

domingo, 17 de junho de 2012

Elogio de la canción (Gabriela Mistral)



Neste post tomo a liberdade de divulgar a poesia de uma grande poetisa chilena, Gabriela Mistral. Prêmio Nobel de Literatura de 1945, Gabriela Mistral é um pseudônimo de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña, 7 de abril de 1889 — Nova Iorque, 10 de janeiro de 1957), foi, além de poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena. De tão boa, preferi postar apenas em sua língua original. Sem tradução, assim é melhor, para que se possa sentir o poder de seus versos... Elogio de la canción vale cada verso.


¡Boca temblorosa,
boca de canción:
boca, la de Teócrito
y de Salomón!

La mayor caricia
que recibe el mundo,
abrazo el más vivo,
beso el más profundo.

Es el beso ardiente
de una canción:
la de Anacreonte
o de Salomón.

Como el pino mana
su resina suave,
como va espesándose
el plumón del ave,

entre las entrañas
se hace la canción,
y un hombre la vierte
blanco de pasión.

Todo ha sido sorbo,
para las canciones:
cielo, tierra, mares,
civilizaciones...

Cabe el mundo entero
en una canción:
se trenza hecha mirto
con el corazón.

Alabo las bocas
que dieron canción
la de Omar Khayyam,
la de Salomón.

Hombre, carne ciega,
el rostro levanta
a la maravilla
del hombre que canta.

Todo lo que tú amas
en tierra y en cielo,
está entre tus labios
pálidos de anhelo.

Y cuando te pones
su canto a escuchar,
tus entrañas se hacen
vivas como el mar.

Vivió en el Anáhuac,
también en Sión:
es Netzagualcoyotl
como Salomón.

Aguijón de abeja
lleva la canción:
aunque va enmielada
punza de aflicción.

Reyes y mendigos
mecen sus rodillas:
mueve ella las almas
como las gavillas.

Amad al que trae
boca de canción:
el cantor es madre
de la Creación.

Se llamó Petrarca,
se llama Tagore:
numerosos nombres
del inmenso amor.

ENVÍO

México, te alabo,
en esta garganta,
porque hecha de limo
de tus ríos, canta.

Paisaje de Anáhuac,
suave amor eterno,
en estas estrofas
te has hecho falerno.

Al que te ha cantado
digo bendición:
por Netzahualcoyotl
Y por Salomón!


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Amor Clandestino (Maná)



Uma banda de muito sucesso na América Latina e em vários cantos do mundo, por que não? Esta banda mexicana, fundada em 1985, em Guadalajara, inicialmente com o nome de "Green Hat". Alguns anos depois mudou para "Sombrero Verde" e posteriormente para "Maná". O som do grupo é descrito como uma mistura de pop rock, pop latino, calypso, reggae e ska. Com grandes sucessos, entre eles "Amor Clandestino" no qual demonstra todo seu talento para compor canções que falam de amor, paixão e veneração pela figura feminina.

Escolhi Amor Clandestino, mas, para quem ainda não os conhece, sugiro que ouça outras canções também...

Amor Clandestino

Eres inevitable amor
Casi como respirar,
Casi como respirar.

Llegué a tus playas impuntual
Pero no me rendiré:
Soy tu amor clandestino,
Soy el viento sin destino
Que se cuela en tu faldas mi amor,
Un soñador, un clandestino
Que se juega hasta la vida mi amor,
Clandestino. Amada, amada amor.

No, no no no

Mi amor clandestino en el silencio, el dolor
Se nos cae todo el cielo de esperar.
Inevitable casi como respirar
Se nos cae todo el cielo
De tanto esperar.
Clandestino.

El universo conspiró inevitable corazón,
Clandestino eterno amor.

Pero me duele no gritar tu nombre en toda libertad,
Bajo sospecha hay que callar.

Y te sueño piel con piel,
Ahogado en besos y tus risas amor.
Y me hundo en el calor
Que hay en tus muslos, en tu mar,
Llorando en silencio, temblando tu ausencia,
Rogándole al cielo y finjiendo estar muy bien.

No, no no no

Mi amor clandestino en el silencio, el dolor
Se nos cae todo el cielo de tanto esperar.
Inevitable caasi como respirar,
Se nos cae todo el cielo
De tanto esperar.
Clandestino.

No te engañes más, ya no te mientas,
Si aire ya pasó, ya pasó.
Y verdad ya no tengas miedo,
Sólo tu mantienes mi respiración.

Hace tanto que yo esperaba al viento, amor.
Cae el llanto del cielo de esperar.
Hace tanto que yo esperé tu luz, amor.
Ay amor, ay amor, ¡Ay amor!

Se nos cae todo el cielo,
Se nos cae todo el cielo de tanto esperar.
Mi amor ya no te engañes,
No te mientas corazón
Se nos cae todo el cielo,
Entiéndelo amor.



Amor Clandestino

Você é inevitável amor
Quase como respirar,
Quase como respirar.

Cheguei à suas praias intempestivo
Mas não me rendirei:
Eu sou o seu amor clandestino,
Eu sou o vento sem destino
Que se agarra à sua saia, meu amor,
Um sonhador, um clandestino
Que se joga até a a vida, meu amor
Clandestino. Amada, amada, amor.

Não, não não não

Meu amor clandestino no silêncio, na dor,
Cai sobre nós todo o céu por esperar.
Inevitável quase como respirar
Cai sobre nós todo o céu
De tanto esperar
Clandestino.

O universo conspirou inevitavelmente coração
Clandestino eterno amor

Mas dói não gritar seu nome em toda a liberdade,
Em suspeita tenho que me calar

E sonho com você pele com pele
Afogado em seus beijos, teus sorrisos amo
E me afundo no calor
Que há nas suas coxas, em seu mar
Chorando em silêncio, tremendo a sua ausência
Implorando ao céu e fingindo estar bem

Não, não não não

Meu amor clandestino no silêncio, na dor,
Cai sobre nós todo o céu por esperar.
Inevitável quase como respirar
Cai sobre nós todo o céu
De tanto esperar
Clandestino.

Não se deixe enganar de novo, e não minta,
Se o ar já passou, já passou.
E verdade já não tenha medo,
Só você mantêm a minha respiração

Faz tento tempo que eu esperava pelo vento amor
Cai o choro do céu de esperar.
Esperei tanto pela sua luz amor
Oh amor, oh amor Oh amor!

Todo o céu caiu sobre nós
Todo ceú caiu sobre nós de tanto esperar
Meu amor não se enganes mais
Não minta pra você coração
Cai sobre nós todo o céu
Entenda-o amor